top of page

Doação de órgãos: Ato de solidariedade que promove a renovação da vida

  • associacaolenoirva
  • 18 de jun.
  • 4 min de leitura

HRO já realizou captação de órgãos de 11 pacientes em 2025


ree

Até abril de 2025, 1.875 pessoas aguardavam na lista de espera por um transplante de órgãos em Santa Catarina. O Estado conta com 37 estabelecimentos autorizados como Centros Transplantadores e todos os procedimentos são regulados pela SC Transplantes.


De acordo com a central estadual, entre janeiro e abril, pouco mais de 500 transplantes foram realizados no Estado e o número de pacientes aguardando por uma nova chance de vida vêm aumentando gradativamente nos últimos anos. Eram 1345 em 2023 e 1447 em 2024. Já o número de transplantes passou de 1713 em 2023 para 1543 em 2024.


O Hospital Regional do Oeste é um desses centros e conta com uma Comissão Hospitalar de Transplante (CHT) desde 2004, que é a responsável por garantir cuidado humanizado às famílias de pacientes em situação irreversível e organizar todo o processo de doação de órgãos no hospital. Desde então, o HRO teve 353 protocolos e 184 entrevistas positivas, o que representa o percentual de 71% de aceitação das famílias para a doação dos órgãos.


Em 2024, foram 49 famílias entrevistadas, 32 autorizações e 26 doações, enquanto em 2025, foram até maio, 18 entrevistas, 13 autorizações e 11 doações. No ano passado, o hospital realizou 15 transplantes de rins e 7 de córneas, enquanto neste ano, entre janeiro e maio, foram 9 transplantes de rins e 2 de córneas.


Desde 2019, a enfermeira Jussara de Lima coordena a comissão formada por dez membros no hospital: dois médicos e oito enfermeiros, selecionados com base no número de leitos de UTI e nas notificações de possíveis mortes encefálicas. Os profissionais são distribuídos em diferentes setores do hospital, especialmente em setores críticos, e devem ter empatia, habilidade de comunicação e sensibilidade com as famílias enlutadas.


Entre as principais atividades da comissão estão o acolhimento familiar, identificação de pacientes com morte encefálica, manutenção desses pacientes, comunicação com a SC Transplantes, treinamento de profissionais da saúde e esclarecimento às famílias sobre o processo e os desdobramentos da doação. “Ser coordenador da CHT é estar  continuamente em busca de resultados que possibilitem a continuidade da vida. É estar nos extremos, pois a dor de uma família que perde seu ente querido é a possibilidade de salvar outras vidas. E tudo isso na corrida contra o tempo sensível para a realização do transplante”, comenta a enfermeira.


Quando a família autoriza a doação, a SC Transplantes organiza a logística para a regulação e destino dos órgãos, encaminhados para cidades e estados em que esteja o paciente compatível. O processo é sensível ao tempo, exigindo rapidez e coordenação entre diversas equipes externas e internas. 


A enfermeira ressalta que só são retirados os órgãos se houver receptor compatível e o corpo do doador é respeitado em sua integridade. “A família doadora irá lembrar de que salvou vidas através da doação, diminuindo e confortando a dor da perda e a imagem trágica do ocorrido. A doação é o maior ato de compaixão e solidariedade. É doar vida!".


A comissão também atua para garantir que as famílias recebam informações claras, apoio emocional e tenham seus desejos considerados, inclusive quanto ao tempo necessário para os rituais de despedida. “A aparência do corpo vai se manter a mesma. O tempo de funeral será o mesmo que a família escolheria fazer. A comissão está sempre à disposição da família para esclarecer dúvidas e garantir que elas entendam todo o processo.”


CAPTAÇÃO

O processo para a captação dos órgãos e encaminhamento aos receptores depende de muitas pessoas, exigindo um trabalho integrado e coordenado. Recentemente, a família de um jovem paciente que teve morte cerebral no HRO, decidiu doar todos os órgãos do rapaz, um procedimento que envolveu equipes multidisciplinares de lugares distintos, como São Paulo, Porto Alegre e Florianópolis, além da equipe do HRO. 


Foram envolvidos mais de 30 profissionais para o sucesso do procedimento. A equipe da CHT do HRO com profissionais qualificados, articulou e organizou toda logística com as equipes, contato e acolhimento dos familiares. "A equipe da CHT do HRO agradece imensamente a solidariedade da família, pois a doação é a maior forma de vida. O nosso trabalho é buscar um cuidado mais humanizado para todas as pessoas que estão dentro do hospital, e também compreender e esclarecer as famílias diante de quadros neurológicos irreversíveis”, destaca Jussara.


Todo o trabalho realizado em Santa Catarina é acompanhado de perto pela SC Transplantes, que realiza auditorias mensais no HRO. No mês de maio, a equipe da central esteve no hospital para a realização de uma reunião, com a presença do Coordenador Estadual de Transplantes de Santa Catarina Dr. Joel de Andrade; da nova gerente do SC Transplantes, Grace Ella Berenhauser e da enfermeira Karoline Gava, responsável pelas auditorias mensais. Também estiveram presentes membros da Comissão Hospitalar de Transplantes (CHT) do HRO, direção e gerência da instituição.


ree

Na ocasião, a CHT foi homenageada com a entrega simbólica de um anjo, representando a doação de órgãos. “Foi uma reunião de avaliação do desempenho da atividade de coordenação de transplantes do Hospital Regional do Oeste, na qual observamos os resultados da série histórica e recentemente a evolução do hospital em termos de entrevista familiar e detecção de potenciais doadores. Além disso, conversamos sobre as perspectivas que existem de que o HRO se torne referência sólida em transplantes para toda a região Oeste”, destaca o Dr. Joel de Andrade.


A SC Transplantes também realiza capacitações, como ocorreu nos dias 06 e 07 de julho, quando foi promovido o Curso Regional de Formação de Coordenadores de Transplantes e o curso de Comunicação para os profissionais do HRO e de toda a região. O objetivo foi padronizar os atendimentos e promover formas de comunicação mais humanizadas entre os colaboradores. Participaram como palestrantes o Dr. Vinícius Menegat, diretor técnico do HRO, e a enfermeira Jussara de Lima, coordenadora da Comissão Hospitalar de Transplantes do HRO.

 
 
 

Comentários


bottom of page